
Avante, trabalhadores e estudantes!
Por uma educação à serviço da Classe Trabalhadora!
Se o movimento estudantil universitário passa por um momento crítico com predomínio da prática política do governismo e paragovernismo, que não procura construir um movimento estudantil de massa, classista e combativo, no movimento secundarista a situação é ainda pior. Movimento que historicamente produziu grandes militantes, como Eduardo Cohen Leite, o Bacuri, e tantos outros, hoje se traduz em esporádicas manifestações propiciados por estudantes desvinculados das principais correntes estudantis, como foi o caso do Movimento de Educação Popular (MEP) no Rio de Janeiro e no ato do passe livre em 2007.
Hoje, este movimento está reduzido a meia dúzia de burocracias gremiais com direções delatoras que tem como principal reivindicação para o movimento estudantil a meia-entrada e o meio-passe, que são bandeiras da falida União Nacional dos Estudantes, a Secretaria da Juventude do Governo Federal.
O IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o "Movimento Todos Pela Educação" e o avanço do Neoliberalismo no ensino médio e fundamental.
Os estudantes secundaristas estão mais do que nunca em um momento defensivo sofrendo vários ataques sejam dos Governos Estaduais ou do Governo Lula, assim como dos empresários nacionais e internacionais que lucram com a educação brasileira.
O neoliberalismo mostra suas caras nas escolas claramente através do modo como elas estão condicionadas a funcionarem semelhantes a gestão empresarial, ou seja, devem buscar o máximo de "eficácia", "produtividade" e "desempenho". Para estimular a competição são criados rankings e gratificações para as escolas que melhor se classificarem em exames como o IDEB.
Para além da disputa desleal e anti-ética que existe entre as comunidades escolares, a criação do IDEB revela por trás deste programa governamental com seus índices e metas o seu real interesse e finalidade: formação de mão-de-obra para o aumento da produtividade capitalista, assim como a formulação de um "diagnóstico" das escolas para a melhor alocação de capital e investimentos favoráveis às grandes empresas que lucram com a educação.
O IDEB além de seu papel de aquecimento da competição e rivalidade entre escolas e professores, os dados e estatísticas obtidas são obviamente utilizados como capital político para campanhas parlamentares. Um exemplo claro é o caso de José R. Arruda, Governador do Distrito Federal, onde através de programas como o "Pró-mérito" estabelece gratificações como 14º salário para os funcionários das escolas que atingirem metas do IDEB como os "recordes de aprovação", etc.
Alinhado nessa mesma lógica neoliberal está o "Movimento Todos Pela Educação". Esse Movimento é uma rede que foi formada em 2006 por grandes empresas (como a fundação Roberto Marinho - Rede Globo, as multinacionais Gerdau e Instituto Sangari, FIESP, etc.), Governo Lula, Governos Estaduais que aderiram, Secretarias de Educação e organizações sociais. E quem entra como organizações sociais aliadas aos empresários: UJS/ PCdoB!
Para além da falácia da "sociedade civil preocupada com a formação educacional do povo brasileiro", o real objetivo do "Movimento Todos Pela Educação" é aprofundar o processo de privatização da educação, através do repasse de verba pública para a iniciativa privada (de forma direta ou indireta através da isenção de impostos) e o enquadramento da educação em metas mercadológicas e estatísticas como o IDEB.
Diversos outros projetos frutos da atuação do "Movimento Todos Pela Educação" podem ser citados como é o caso do Programa de Aceleração de Aprendizagem (o Tele-curso). Este Programa troca os professores pelas televisões precarizando o ensino e repassando milhões de reais para a Fundação privada da Rede Globo. Outro projeto é o "ciência em foco" de Brasília, neste caso a Secretaria de Educação pagou 300 milhões sem licitação para o multinacional Instituto Sangari.
Destruir a UBES o legalismo burguês e o parlamentarismo no seio do Movimento Estudantil Secundarista!
É necessário deixar claro que o Governo Lula não somente transfere verba pública para o bolso dos empresários e banqueiros mais também para o bolso de seus cães que atuam no Movimento Estudantil através da UNE e da UBES, com o objetivo claro de paralisar as lutas radicais e sinceras e auxiliar na implementação das reformas e projetos neo-liberais para a educação.
Os estudantes secundaristas combativos, um pouco diferentes dos universitários, possuem uma tarefa ainda maior e mais difícil de organização e luta do movimento, já que o mesmo em muitas cidades e estados quando de fato não existe está totalmente entregue a "consciência geral da população" em seus termos mais reformistas e legalistas.
Em vista dos diversos ataques que sofremos diariamente: nossas escolas caindo aos pedaços, trabalhadores sem um salário digno, falta de democracia, precarização da educação, etc, se torna urgente a reorganização do movimento secundarista assim como uma disputa interna na consciência dos estudantes com o objetivo claro de destruir a conciliação e o reformismo, assim como suas organizações UNE e UBES , e construir a partir dos grêmios e oposições estudantis um movimento estudantil secundarista combativo, classista e independente. Ao lado destas entidades devemos defender uma gestão democrática das escolas com a participação dos estudantes, funcionários e professores e que as pautas secundaristas se agreguem às pautas de luta econômica dos trabalhadores (data-base, aumento salarial etc) visando a estratégia da greve geral.
É urgentemente necessário reconstruir o movimento estudantil secundarista, hoje semi-morto. Romper com as práticas governistas e para-governista do parlamentarismo estudantil que chegou ao seu ápice da decadência no último ato governista do dia 30/03. O movimento estudantil levou para as ruas a bandeira da meia-entrada, como se a universidade e as escolas públicas estivessem ótimas, e mesmo assim a bandeira burguesa da meia-entrada seria totalmente inapropriada para um momento tão importante para reorganização e avanço das lutas estudantis.
Abaixo ao governismo da UNE, UBES e UEE !!
Por um movimento estudantil classista, combativo e democrático!!
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A ofensiva do capital e a superexploração da juventude
As políticas neoliberais e o processo de reestruturação produtiva representam a atual ofensiva burguesa contra o proletariado. Ampliando as formas de exploração sobre a classe trabalhadora, impondo a superexploração sobre parcelas maiores dos trabalhadores.
Entre os segmentos super explorados da classe trabalhadora está a juventude. Os jovens brasileiros somam 50,2 milhões de pessoas, o que representa 26,4% da população. Segundo estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), de 2007, 84,2% da juventude vive em famílias de renda domiciliar de até dois salários mínimos.
Mesmo diante da necessidade de ajudar suas famílias, os jovens brasileiros não conseguem entrar no mercado de trabalho. Cerca de 46,6% desempregados no Brasil estão na faixa de idade entre 15 e 24 anos.
A situação extrema a que estão submetidos os jovens brasileiros resulta da ofensiva do capital, mantendo esse e outros segmentos do proletariado em condições de super exploração. Fica nítido que as lutas da juventude não podem estar isoladas das lutas do conjunto do proletariado, pois a exploração e a miséria dos jovens só podem ser combatidas a partir da resistência contra a ofensiva burguesa.
As bandeiras exclusivamente corporativas defendidas por partidos e correntes políticas reformistas, como PT, PSOL, UJS, FOE-UNE, PSTU, etc, são responsáveis pelo isolamento das lutas da juventude e, consequentemente, pela reprodução das atuais condições de miséria e exploração.
Romper com o reformismo e construir entre a juventude mobilizações pautadas nas lutas contra a exploração e a opressão, unificando as reivindicações dos jovens com o conjunto da classe trabalhadora e elegendo a ação direta como estratégia privilegiada, é o único caminho para combater o desemprego e a miséria promovidos pelo Capital.
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Pelo que lutamos:
Para as Escolas Públicas
- Aumento da oferta de vagas nas escolas públicas. Livre acesso já! Vagas pra quem quer estudar!
- Aumento do número de professores, realização imediata de concursos!
- Aumento Salarial para Professores e Funcionários!
- Passe-livre sem restrições!
- Voto universal nas eleições para diretores das escolas!
- Fim do sistema de aprovação automática!
- Fim do IDEB!
- Assistência estudantil - Sem assistência estudantil não há ensino gratuito. As escolas tem que oferecer todo tipo de assistência ao estudante, psicológica, nutricional, médica, odontológica, etc
Para as Universidades Públicas
- Assistência estudantil (moradia, bandejão, transporte para os estudantes)
- Livre acesso já: fim do vestibular!
- Concursos públicos para contratação de professores e funcionários
- Voto universal em todas as instâncias. Fim do 70-20-10!
- Fim dos cursos pagos
- Solidariedade às lutas populares
Para as Escolas e Universidade Particulares
- Redução das mensalidades!
- Fim da perseguição aos inadimplentes!
- Fim do Contrato por Hora!
- Turmas com no máximo 30 alunos!
Assinam esse manifesto:
- ADE - Ação Direta Estudantil / UFF
http://acaodestudantil.blogspot.com/ / adestudantil@gmail.com
- Oposição Combativa Classista e Independete (CCI) ao DCE-UnB
http://oposicaocci.blogspot.com// estudantes_classistas@yahoo.com.br
No início deste ano ocorreu uma aumento nas tarifas, por meio do Governo Arruda-DEM, de metrô e micro-ônibus no DF de 50% totalizando passagens de 3,00 e 1,50 respectivamente. Surge a “Frente Contra o aumento de tarifas” sustentada na estrutura de cúpula da burocracia sindical e estudantil ramificada na frente eleitoreira do PT para capitalizar a luta popular que possa vir surgir. Um exemplo claro desta relação é a contradição existente em seu próprio material de propaganda, onde afirmam:
“(...) a terceirização é o lema desse governo, como no caos do cartão FACIL, na substituição de professores pelo TELECURSO 2000 da rede Globo, entre outros.” [Jornal da frente contra o aumento.]
uma constatação correta, porém a contradição se observa quando a CTB, CUT , UBES por exemplo assinam esse documento. Explica-se: a substituição de professores pelo TELECURSO 2000 realizada pelo governo Arruda-DEM é só uma medida administrativa distrital de uma política nacional: o conhecido projeto “Todos pela educação” apoiado pelo PT e Pcdo B, pelo seu braço de massa estudantil, a UJS, que controla a entidade governista UBES1.
Ora, para ser conseqüente com esta luta deve-se combater o governo Arruda-DEM e o governo nacional Lula/PT apoiado pelo PcdoB/UJS. Por tanto, ao criticar o governo Arruda por uma medida que tem acordo político nacional o partidos governistas demonstram seu oportunismo e sua estratégia eleitoreira: batem no governo do DF para defenderem a sua plataforma eleitoral par o GDF.
Essa é a essência da “Frente” cretinismo parlamentar da pior espécie. As demais forças e entidades que compõem são apenas diferenças de grau da mesma caracterização reformista: mesmo que “em tese” se oponham a elas fazem silêncio do papel dos partidos governistas e pactuam com sua ação. Quer dizer, não possuem um programa, assim como métodos práticos e independentes para reorganizar a luta contra ao aumento de tarifas e os monopolista do transporte.
Mediante esta constatação cabe aos estudantes e trabalhadores construirem o “Comitê de Luta Contra a Máfia dos Transportes” (CLMT) independente das centrais pelegas e dos partidos eleitoreiros para barrar o aumento e tarifas na ação-direta e conquistar o passe-livre para estudantes e desempregados.
Fora frente pelega-parlamentar!
Barrar o aumento na ação-direta popular!
1Lutas foram travadas pelos secundaristas contra o telecurso, para maiores informações ver mais matérias neste blog.
Enquanto isso o governo se vale de demagogia nas suas propagandas afirmando que "este não seria um aumento" usando como justificativa o programa de integração e a equiparação de preços. Além deste programa não funcionar integramente, não contemplando diversas satélites, ele é parte do projeto para ampliar o lucro dos empresários do transporte, demitir funcionários e para a projeção eleitoreira do governo neoliberal de Arruda sob o pretexto da integração.
Não acabando por aí o eleitoralismo já surge a "Frente Contra o aumento de passagens" apoiada nas centrais pelegas com CUT,CTB (hegemonizadas pelo PT e PcdoB), pela burocracia estudantil UNE e UBES, forças reformistas e oportunistas como PSTU,PSOL,MPL; além de se ramificar inclusive na frente parlamentar do PT. Esta para enganar o povo com seus objetivos eleitoreiros conta com a presenças de deputados como Erika Kokay, Chico Leite, Cabo Patrício e Paulo Tadeu. Vale lembrar que na luta contra as tarifas de 2006 tais parlamentares nada ajudaram, como exemplo o deputado Paulo Tadeu que se utilizou do projeto de passe livre estudantil, já rebaixado, para se eleger como deputado e aprovar a lei nº3921 que ficou até então simplesmente engavetada.