Desde o ano passado que a mobilização não parou, porém, agora tudo indica que irá se massificar novamente nas ruas e na radicalização. No último dia 28 de agosto foi convocada um manifestação que contou com mais de 150 mil manifestantes nas ruas de Santiago del Chile, além de protestos também massivos em várias cidades. A "jornada de 28 de agosoto", como foi chamada, foi convocada uma semana depois do Ministro da Educação do Chile afirmar que “las marchas no son masivas y los estudiantes no están siguiendo a sus dirigentes”.
A alguns meses que a luta estudantil já vinha se acirrando novamente no Chile (desde a última explosão no ano de 2011). Os estudantes secundaristas já estavam ocupando várias escolas, e a polícia estava desocupando violentamente muitas delas, o que vinha gerando revolta nos estudantes e na comunidade escolar.
Agora, após o último protesto de 28/08, os estudantes chilenos passam a discutir o aprofundamento da mobilização e indicam a necessidade de aumentar as ocupações de colégios e universidades ("las tomas" de colégios, como se diz no Chile) e a radicalização por uma educação totalmente gratuita, bem como o estabelecimento de um Sistema Nacional de Educação.
TODA SOLIDARIEDADE AOS ESTUDANTES CHILENOS!
VIVA A AÇÃO DIRETA COMBATIVA!
ORGANIZAR PARA LUTAR, LUTAR PARA ESTUDAR!
POR UMA EDUCAÇÃO GRATUITA, DE QUALIDADE E A SERVIÇO DO POVO!
RACIONAIS MC'S, com o clipe "Mil faces de um homem leal - Marighella"
“Sabemos e estamos
convictos que a memória histórica também é um importante campo onde se trava a
luta de classes, e por isto, também é dever dos revolucionários saber intervir
e disputar neste campo com a burguesia, pois, como já foi dito por
historiadores pertencentes ao campo do socialismo: "quem controla o
passado, controla o futuro". Aquilo que conhecemos a respeito do nosso
passado, e a forma pela qual o conhecemos influencia diretamente naquilo que
entendemos que podemos construir em nosso futuro, e para todos os socialistas
revolucionários não existe melhor aprendizado para as presentes e futuras
batalhas contra a burguesia que aquele que nos fornece a história das lutas
passadas dos trabalhadores pela sua libertação.
CARLOS MARIGHELLA
Dia 04 de novembro de
1969, Alameda Casa Branca, cidade de São Paulo. Neste dia e neste local era
assassinado pelos comandos da repressão política da ditadura militar-burguesa o
revolucionário e combatente Carlos Marighella. O "terrorista" - como
era norma qualificar os revolucionários em armas, e como voltou a ser hoje em
dia - havia sido capturado numa trama policial que envolveu todo o arsenal
disponível para a guerra suja, tendo como seu instrumento maior a prática
generalizada da tortura como método de extração de informações. Tal era o
terror que os revolucionários em geral, e Marighella em particular, inspiravam
nos agentes repressores da burguesia que no cerco que levou à morte de
Marighella registrou-se o fato de os policiais balearam-se entre si tomados
pelo nervosismo.
Carlos Marighella, filho
de uma negra baiana e de um operário imigrante italiano, nasceu no seio da
classe a qual iria servir - não sem contradições, fique claro - entregando
neste serviço sua vida e sua morte. A trajetória política deste revolucionário
remonta à década de 30, quando já atuava no interior do Partido Comunista. Com
a repressão varguista generalizada contra os militantes de esquerda, é preso
durante todo o Estado Novo saindo às ruas na Anistia de 1945, elegendo-se
deputado pelo mesmo Partido Comunista para a Assembléia Constituinte. Milita
durante toda a década de 1950 neste partido e em 64 recusa-se a seguir a
definição do Comitê Central do PCB que exige que seus militantes entreguem-se à
repressão reacionária dos golpistas militar-burgueses. Esta atitude, que lhe
causou alguns ferimentos à bala quando foi descoberto pela polícia em um cinema
onde se escondia, já demonstra uma grave ruptura com a linha política dos
colaboracionistas do PC que haviam negligenciado toda e qualquer resistência
popular ao golpe e que agora propunham entregar, cabeças baixas, os militantes
do povo nas mãos da repressão, nos marcos da adoção da linha da "oposição
democrática" à ditadura.
Marighella vai consolidar
seu posicionamento contra a linha do PCB ditada diretamente por Moscou no
âmbito da política da "coexistência pacífica" com o mundo
capitalista, durante a reunião da Organização Latino-Americana de Solidariedade
(OLAS) em Cuba, onde apontava-se - ao contrário - no caminho da difusão da luta
armada em todo o continente. Marighella defende contra o Comitê Central do PCB
a política da OLAS e é expulso do partido, não porém, sem antes articular um
enorme "racha" no "Partidão" que iria originar a Ação
Libertadora Nacional, a maior organização revolucionária político-miltar que
atuou no país nas décadas de 60 e 70. Ao contrário do que mente a
"história oficial" da burguesia, os camaradas da ALN e das diversas
organizações revolucionárias que atuaram neste período, como a Vanguarda
Popular Revolucionária, o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, a Vanguarda
Armada Revolucionária - Palmares, entre outras, foram não grupos de
aventureiros juvenis irresponsáveis, mas a melhor expressão dos operários,
estudantes e camponeses organizados na esquerda revolucionária que souberam
ousar lutar contra a reação burguesa e contra o reformismo burocrático da
esquerda colaboracionista, procurando seus caminhos, tortuosos e incertos, porém,
caminhos e não imobilismo.
(...)
Estudantes brasileiros atacam carro da polícia (1968)
Para além destes equívocos
apresentados em relação à trajetória militante de Marighella, achamos
importante ressaltar o seu exemplo de combatividade, perseverança e intransigência
revolucionária, que o conduziu não aos altos postos ministeriais fornecidos
pela colaboração com a burguesia, mas ao digno lugar reservado àqueles que
tombam em defesa do povo e de seus mais preciosos direitos. Marighella
representa acima de tudo a negação do reformismo burocrático e a afirmação da
ação revolucionária como princípio. Marighella é a expressão de tudo aquilo que
a burguesia brasileira e seus serviçais colaboracionistas no governo federal
querem apagar ou deformar em nossa história. Em um momento histórico em que
ex-guerrilheiros arrependidos, como José Dirceu e Dilma Roussef, transformam-se
em ministros da burguesia, em que convictos reacionários, como José Genoíno,
posam como heróis de uma "resistência democrática" que nunca existiu.
Neste momento em que Lula e o PT decidem pela manutenção em segredo dos
arquivos da ditadura, e em que a grande maioria dos setores populares
organizados foram tragados para dentro deste governo neoliberal francamente
pró-imperialista, é fundamental manter erguida alta a memória de nossos
combatentes. Em relação à nossa história, toda a burguesia e todos os
colaboracionistas, na prática, engrossam as fileiras dos ditadores, enquanto
nós, as dos combatentes revolucionários. Não há meio termo.
Entendemos que lembrar e
homenagear a memória do camarada Carlos Marighella é não somente um ato de
justiça, mas antes de tudo uma tarefa política. O legado dos revolucionários da
década de 60 e 70 em nosso país não foi apenas abandonado, ele é, pela
burguesia e seus serviçais políticos e intelectuais, sistematicamente
deformado, ridicularizado, pervertido, de uma maneira que não possa ser
resgatado. Existe um abismo no que diz respeito à memória social da luta de
classes em nosso país, e este abismo consiste exatamente no que diz respeito ao
período da ação revolucionária das organizações político-militares que
combateram a ditadura dos capitalista fardados e paisanos. É fundamental ter
clareza que a "Nova República" e a "consolidação
democrática" sob a qual vivemos e sofremos é uma realidade que não teria
se estabilizado se não fosse a aceitação pela esquerda colaboracionista em
contribuir para o permanente trabalho de separar o exemplo revolucionário dos
combatentes dos anos 60 e 70 da memória de nosso povo e do referencial de suas
organizações. Ao PT e seus cúmplices só foi permitido pela burguesia atingir os
altos postos governamentais graças aos grandiosos serviços
contra-revolucionários prestados, inclusive o achincalhe da memória de nossos
mártires. Homenagear Marighella é tomar posição em favor da verdade em favor da
história de luta de nosso povo, e sendo assim, a maior homenagem que podemos
prestar a este revolucionário é prosseguir e avançar sua luta que hoje passa
necessariamente por fortalecer a organização dos trabalhadores nos bairros,
fábricas, escolas, favelas e campos, amadurecendo aí uma firme perspectiva
revolucionária, derrotando o governismo, e combatendo as perspectivas
reformistas.
Marighella??
PRESENTE!!!!!
Ousar
Lutar, Ousar vencer!
(Texto retirado do
Comunicado Nº 04 da União Popular Anarquista - UNIPA)
Trabalhadores enfrentam a repressão policial em plena Ditadura Civil-Militar
Liberdade
Não ficarei
tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu
possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu
tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por
ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”
(MARIGHELLA,
São Paulo, Presídio Especial, 1939)
Poesia sobre Marighella (sem titulo)
Em
seu enterro não havia velas:
Como
acendê-las, sem a luz do dia?
Em
seu enterro não havia flores:
Onde
colhê-las, nessa manha fria?
Em
seu enterro não havia povo:
Como
encontrá-lo, nessa rua vazia?
Em
seu enterro não havia gestos:
Parada
inerte a minha mão jazia.
Em
seu enterro não havia vozes:
Sob
censura estavam as salmodias.
Mas
luz, e flor, e povo, e canto
responderão
“presente”, chegada a primavera mesmo que tardia!
O grêmio estudantil é a organização que representa todos os estudantes do colégio. Tem por finalidade defender as reivindicações dentro e fora das escolas como, por exemplo, novas quadras de esportes, cobertura das quadras, melhores lanches, melhores condições da escola, salários dignos aos professores e demais trabalhadores.Essa organização não pode tomar decisões sem antes consultar os estudantes, ou seja, ela não vai está acima destes, mas vai servir para organizar e criarunião entre os estudantes e suas demandas. É um meio legal de luta, ou seja, amparado por lei (Lei Nº 7.398, de novembro de 1985), que assegura a todos estudantes o direito de se organizarem no colégio sem que sofram repressão ou punição por parte da direção.
Primeiramente, o grêmio deve ter a capacidade de organizar os estudantes, por exemplo, para assembleias estudantis, para manifestações, discutir demandas, fazer debates, etc. Um mau grêmio estudantil é aquele que não consegue cumprir com essa função. Em segundo lugar, essa organização deve ser independente dos interesses da direção e do governo, servindo somente aos estudantes. Isso não elimina o fato de que estes devam se solidarizar com a luta dos trabalhadores, entendendo que suas reivindicações tem relação direta com a realidade dos estudantes pobres e da educação pública.
A RECC (Rede Estudantil Classista Combativa) apoia toda e qualquer organização quando essa se propõe a ser sincera com os estudantes e com suas demandas, e não grêmios que só organizem festas ou que estejam ligados às direções ou ao governo. Entendemos que só quando os grêmios se organizarem com suas próprias capacidades (de forma independente) é que eles conseguirão o atendimento de suas reivindicações mais importantes (aquelas mais difíceis). Este meio de luta faz com que os estudantes tomem à frente dela e criem consciência de sua força coletiva para que possam solucionar seus problemas, não deixando que terceiros resolvam (deputados, diretores, mesa de negociação/enrolação), pois a vitória dos estudantes será conseguida por suas próprias mãos.
Colocamo-nos a disposição para contribuir na construção de um verdadeiro grêmio estudantil comprometido com os estudantes e trabalhadores. Qualquer dúvida e maiores esclarecimentos, entre em contato com a RECC: mecc@yahoo.com.brou pelo blog combateestudantil.blogspot.com
Pela construção de grêmios estudantis de luta!
Por uma Educação a serviço do Povo! A vitória dos estudantes é obra dos próprios estudantes!
No dia 28 de março, dia nacional de luta estudantil, ocorreu no centro de Taguatinga-DF uma manifestação dos estudantes que ficará marcado na memória daqueles que puderam comparecer ao ato.
A manifestação organizada pelo "Conselho de Grêmios", organismo independente das governistas UNE e UBES, teve a presença de estudantes secundaristas e universitários de dezenas de escolas de Taguatinga, da Ceilandia, do Recanto das Emas, do Plano Piloto, de Planaltina além de estudantes da ETB, da Católica e da UnB. A pauta central da manifestação era o apoio a greve dos professores e em defesa da melhoria da Educação Pública.
Apesar da "Juventude Revolução" (PT) ter aparecido na reunião de organização do ato, ficando responsável por conseguir ônibus com o SINPRO, além de dar o calote nos ônibus, nem mesmo deu as caras no ato. Preferiram fazer um dia antes uma manifestação unificada com os burocratas da UJS. Melhor foi para o ato, que pode se desenvolver de forma combativa.
O ato inicou com a concentração estudantil na Praça do Relógio, onde diversos camaradas fizeram falas e puxaram "gritos de guerra". A manifestação, com cerca de 250 estudantes, seguiu pelas ruas de Taguatinga, fechando inteiramente a comercial norte, a comercial sul e o centro diversas vezes. A polícia atuou durante o percurso do ato tentando conter a revolta e organização dos estudantes, buscando inclusive se passar por "companheira" dos estudantes dizendo "apoiar a luta" desde que os estudantes saíssem da rua! A proposta indecente não foi aceita. A manifestação prosseguiu forte, passou na frente da sede local do SINPRO para demonstrar o apoio à greve dos professores, e os gritos "o professor é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo" perduraram durante todo o ato.
As falas de militantes da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC) lembraram que aquela luta não estava isolada, tampouco era carente de história. Além daquele dia marcar o DIA NACIONAL DE LUTA DOS ESTUDANTES, data lembrada pela morte do estudante Edson Luis, baleado pela polícia em 28 de março de 1964, além disso, os estudantes do Chile, da Colombia e da Grécia também estão nas ruas, em ocupações de escolas e universidades, por melhorias da educação. Por isso o canto "No Chile, na Grécia, agora no Brasil, Viva o Movimento Combativo Estudantil" foi acolhido com grande entusiasmo pelos estudantes.
Diferente das passeatas inofensivas da UNE e UBES, controladas pela polícia e seus mini-parlamentares, esta manifestação mostrou aos estudantes a sua força e demonstrou a possibilidade e a necessidade de se construir um novo movimento estudantil combativo, que seja independente do governo Agnelo e Dilma (Afinal de contas quem se esqueceu que UJS e JR/PT fizeram campanha para Agnelo e o defendem até hoje??), enfim, que possa de fato ser a voz dos estudantes por uma educação de qualidade e a serviço do povo.